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Incêndio de Eaton expôs milhões a fumaça urbana carregada de chumbo

Um estudo da Caltech estima que quase sete milhões respiraram por 24 horas níveis de chumbo 80 vezes maiores que o fundo normal. A medição é de exposição, não de casos clínicos, e diferencia fogo urbano de florestal.

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A fumaça do incêndio de Eaton, que devastou partes de Altadena em janeiro de 2025, teve mistura química muito diferente de um fogo de vegetação. Pesquisadores da Caltech estimam que, no pico da queima de edifícios e veículos, quase sete milhões de moradores de Los Angeles enfrentaram por 24 horas chumbo 80 vezes acima do fundo normal.

Comparada ao incêndio Airport de 2024, a pluma urbana tinha mais de 50 vezes o chumbo, sete vezes cloro e bromo e três vezes arsênio. Tintas, carros, eletrônicos, móveis, plásticos e produtos domésticos foram combustíveis. Os incêndios de 7 de janeiro mataram ao menos 31 pessoas e destruíram mais de 16 mil estruturas.

Publicado na Science Advances, o estudo usou quatro instrumentos ASCENT em Pico Rivera, 18 quilômetros ao sul de Altadena. Diferente de filtros coletados a cada poucos dias, a estação mediu continuamente tamanho e química dos aerossóis, acompanhando a pluma hora a hora e separando queima urbana da vegetal.

A razão potássio-chumbo mostrou a transição. Nos dias 8 e 9, com casas queimando, ficou em cinco para um; quando o fogo chegou às montanhas subiu para 50 e depois centenas para um, assinatura mais próxima de biomassa. Isso permite corrigir modelos que tratam toda fumaça como equivalente.

Sete milhões é população exposta estimada, não contagem de intoxicações. Chumbo prejudica o desenvolvimento infantil e eleva pressão; arsênio se liga a câncer, mas o efeito clínico de exposição breve e intensa ao conjunto é incerto. Construções antigas de Altadena também podem limitar a generalização.

A lição é que evacuar por chamas não basta. Fumaça viaja e atinge bairros fora da área queimada. Redes que informem não só massa de PM2,5, mas composição, podem orientar alertas, abrigos filtrados, proteção respiratória, trabalho e recomendações a crianças, gestantes e pacientes crônicos.

O próximo passo é levar essa química a previsões, protocolos de saúde e códigos da interface urbana, além de biomonitoramento. O estudo prova um perigo mensurável e subestimado; não diagnostica milhões, mas exige modernizar vigilância e resposta antes do próximo incêndio urbano.