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Victoria debate coleta semanal do contentor vermelho apesar do avanço dos orgânicos

A oposição liberal promete coleta semanal do lixo geral em todos os municípios, enquanto mais de trinta já usam frequência quinzenal com orgânicos semanais. A escolha deve pesar higiene e acesso contra custos, caminhões, emissões e incentivos à separação.

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A frequência da coleta de lixo doméstico virou tema da eleição estadual em Victoria, Austrália. A líder da oposição, Jess Wilson, prometeu que, sob um governo liberal, o contentor vermelho de resíduos gerais seria esvaziado semanalmente em todos os municípios. A proposta ainda não é lei nem serviço aprovado: é compromisso eleitoral que levaria ao nível estadual uma decisão tradicionalmente local e precisa explicar financiamento, competência e implementação.

Mais de trinta municípios de Victoria já passaram a recolher o vermelho a cada duas semanas, em geral com coleta semanal do verde para restos de alimentos e jardim, chamado FOGO. Essa combinação — orgânicos semanais e rejeitos quinzenais — é descrita como boa prática em relatórios nacionais australianos. Retirar comida e material úmido reduz volume, peso e grande parte do odor do vermelho, além de desviar matéria biodegradável dos aterros.

A composição explica a lógica. Uma auditoria em Nova Gales do Sul encontrou 51% de orgânicos em peso, 18% de papel e 6% de vidro e metais; apenas 25% não era recuperável. Separar corretamente pode deixar pouco no vermelho. Menor frequência também incentiva o verde, reduz viagens de caminhões, ruído e emissões e ajuda a conter o custo de introduzir novos fluxos de reciclagem.

A promessa liberal combina mais coletas com redução das tarifas, mas não detalhou publicamente como financiar as duas coisas. Cada rota adicional requer pessoal, veículos, combustível ou eletricidade e logística. Municípios alertam que uma obrigação sem recursos estaduais suficientes pode elevar taxas ou deslocar outros serviços. Comparar opções exige publicar custo por família, quilômetros, material recuperado e emissões, sem presumir que mais frequência é grátis ou que uma solução serve em qualquer área.

Preocupações de higiene e acesso são reais para algumas casas. Famílias grandes, crianças que usam fraldas, pessoas com produtos de incontinência ou lixo médico e moradores de certos prédios podem ser mal atendidos pela coleta quinzenal. A resposta não precisa ser universal: contentores maiores, coletas extras subsidiadas, serviços específicos e desenho para apartamentos podem atender necessidades sem duplicar todas as rotas. As medidas não devem penalizar deficiência, cuidado ou pobreza.

O debate ocorre durante a implantação de quatro fluxos: verde para orgânicos, amarelo para recicláveis, roxo para vidro e vermelho para rejeitos. A meta estadual é completar o sistema em 1º de julho de 2027. Até agora, 42 dos 79 municípios têm vidro na calçada, 65 introduziram FOGO e cerca de 33 usam lixo quinzenal. A oposição também quer retirar a obrigação do contentor roxo, abrindo discussão maior entre consistência estadual e adaptação local.

Boa política deve julgar resultados, não cor ou frequência isolada. Os indicadores incluem quilos por habitante em aterro, recuperação de orgânicos e recicláveis, contaminação de cada fluxo, reclamações de odor, cobertura de casas com necessidades especiais, custos e emissões. Um piloto comparativo, dados municipais abertos e exceções bem desenhadas permitiriam decidir com evidência. A meta não é apenas esvaziar o vermelho mais vezes, mas gerar menos descarte, separar melhor e oferecer serviço sanitário justo.