O crescimento dos data centers no estado de Washington não distribui seus impactos de forma neutra. Um relatório da Front and Centered concluiu que 57% das 81 instalações analisadas ficam nos setores censitários com maior proporção de pessoas não brancas, contra apenas 2% nos de menor proporção.
O estudo cruzou locais conhecidos com o mapa estadual de disparidades de saúde ambiental, que integra poluição, qualidade da água, pobreza e outros fatores. Quase metade, 47%, está em comunidades com alguns dos maiores riscos acumulados. A relação com raça foi mais forte que a relação com renda.
A hidreletricidade abundante e as grandes empresas de tecnologia atraem projetos, mas eles exigem muita eletricidade, água e terra. Centros também usam geradores a diesel e produzem lixo eletrônico. Essas pressões se somam às cargas de comunidades indígenas, migrantes, de baixa renda e não brancas.
O setor já consome cerca de 6% da eletricidade de Washington. No condado de Grant, onde 45% da população é hispânica, usa 37% da energia local. A expansão das linhas e o temor de tarifas maiores levam o debate da infraestrutura digital à moradia, à terra e ao custo de vida.
A organização ouviu 29 grupos de linha de frente e registrou preocupações com energia, água, poluição, preços e pouca participação. A fiscalização é dificultada pela falta de lista oficial única e pela fragmentação entre zoneamento, construção e controles estaduais de ar, água e energia.
A Front and Centered propôs moratória estadual sobre novos centros hiperescaláveis e ampliações enquanto se cria uma avaliação cumulativa. Spokane e Seattle já adotaram pausas locais. A indústria aponta empregos e crescimento, mas sua associação não respondeu ao relatório específico.
Washington precisa decidir entre avaliar cada projeto isoladamente ou reconhecer a carga conjunta sobre rede, água e saúde. Regulação crível exige inventário público, dados de consumo, análise de alternativas, proteção tarifária e participação comunitária antes de fechar locais e contratos.