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Reino Unido compromete empréstimo de £400 milhões ao fundo brasileiro de florestas

O compromisso, equivalente a US$541 milhões, entraria no Fundo Florestas Tropicais para Sempre como investimento reembolsável. Ainda depende de diligência final e de Londres obter papel na supervisão de um mecanismo que busca mobilizar US$125 bilhões.

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O Reino Unido comprometeu investimento de £400 milhões, cerca de US$541 milhões, no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, o TFFF. A iniciativa liderada pelo Brasil busca financiar países que mantêm florestas tropicais em pé. O anúncio é sinal político relevante, mas ainda não equivale a desembolso concluído nem a recursos recebidos pelos países florestais.

O governo britânico estruturará o aporte como empréstimo e se apresenta como investidor, não doador. A diferença define a operação: o capital deve gerar retorno e ser reembolsado conforme as condições. Londres ajudou a desenhar o fundo, mas não contribuiu quando ele foi lançado na COP30 de 2025, decisão criticada na época.

O compromisso mantém condições pendentes. Segundo o comunicado citado pela Reuters, depende da diligência final e de o Reino Unido obter papel na supervisão. Anúncio, contrato, transferência e capital operacional são etapas distintas. A prestação de contas deverá informar prazos, custo financeiro, governança e condições de saída.

O TFFF pretende mobilizar US$125 bilhões, incluindo US$25 bilhões de governos e instituições públicas. O Brasil busca primeiro US$10 bilhões de fontes públicas e autoridades estimam alcançar a meta até o fim do ano. Cumprir o trecho inicial pode alavancar mais capital, mas a projeção total segue sendo objetivo, não patrimônio disponível.

O modelo investe capital público, filantrópico e privado em carteira diversificada e usa os rendimentos para pagar países pela conservação. Busca fluxos previsíveis e duradouros em lugar de subsídios breves por projeto. A viabilidade depende de retornos, custos e pagamentos por desempenho permanecerem sustentáveis em cenários adversos.

A conservação não pode ser medida só pela cobertura florestal agregada. O mecanismo precisa de regras transparentes para degradação, desmatamento e restauração, verificação por satélite e em campo e salvaguardas sociais. O desenho reserva ao menos 20% dos pagamentos a povos indígenas e comunidades locais; o teste será a chegada direta, oportuna e com participação na governança.

Mauricio Voivodic, diretor do WWF-Brasil, considerou o compromisso significativo por mudar a forma de reconhecer e financiar florestas. A avaliação deve separar mobilização prometida, capital investido, retorno, pagamentos e hectares conservados sem deslocar pressões. O empréstimo pode ampliar a escala, mas seu valor ambiental dependerá de resultados adicionais, verificáveis e justos.