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Colômbia enfrenta temporada atípica de incêndios e recomenda diagnóstico antes da restauração

Menos chuva, temperaturas altas e solos secos ampliam incêndios majoritariamente humanos. Tolima soma quase 30 mil hectares afetados, segundo o Instituto Humboldt, que recomenda isolar, observar a regeneração e escolher restauração passiva ou ativa conforme cada área.

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A Colômbia atravessa temporada seca e de incêndios atípica, com menos chuva, temperaturas altas, ventos e baixa umidade do solo. O Instituto Humboldt relaciona essas condições a um El Niño de alta severidade, que aumenta o estresse prévio da vegetação. O clima facilita propagação e intensidade, mas não determina a causa concreta de cada ignição.

Segundo o Instituto, 99% dos eventos de fogo no país têm relação com atividades humanas, como queimadas agropecuárias, turismo sem gestão, fósforos e bitucas. A secura transforma descuido ou prática habitual em incêndio maior. Previsão climática, prevenção territorial e controle de comportamentos precisam operar juntos.

Tolima concentra cerca da metade dos incêndios registrados e quase 30 mil hectares afetados, conforme dados examinados pelo Humboldt. A floresta tropical seca dos vales Magdalena-Cauca está entre os sistemas mais expostos. Mais de 92% de sua cobertura original se perdeu, deixando fragmentos em paisagens com agricultura, pecuária e moradias.

Contar ocorrências não basta. Frequência mostra recorrência, extensão indica quanto queimou e intensidade ajuda a explicar alterações na vegetação e no solo. Dados térmicos de satélites da NASA mostram forte aumento dos pontos de calor em julho e agosto, com duplicação em algumas regiões. Eles detectam anomalias, mas não substituem verificação de área e severidade em campo.

O impacto continua após o controle das chamas. A perda de cobertura desloca fauna e rompe conectividade. Fogo intenso reduz infiltração e retenção de água, afetando rios e sistemas de abastecimento quando a chuva retorna. Áreas abertas também favorecem invasoras como leucena em floresta seca e tojo espinhoso em páramos.

A mensagem central do Humboldt é evitar plantio automático. Primeiro é preciso saber o que queimou, o que sobreviveu, quais remanescentes fornecem sementes e quais pressões persistem. Em floresta seca, isolar gado e turismo sem gestão pode permitir rebrote, bancos de sementes e dispersão natural. A restauração passiva convém onde resta capacidade de recuperação.

Restauração ativa será necessária onde o fogo destruiu remanescentes, a degradação é severa ou invasoras impedem o retorno nativo. Autoridades, academia, comunidades e saber local devem cooperar. Mapear cobertura anterior, severidade, conectividade, regeneração, água e invasoras orientará decisões e resultados. Urgência não justifica fórmula única; restaurar começa por entender a área queimada.