O Fórum Líderes da Reciclagem 2026, realizado no México, consolidou o país como um ator-chave na transição para a economia circular na América Latina. O evento contou com representantes da ECOCE, PETSTAR, Arca Continental e do Instituto Tecnológico de Monterrey, que concordaram que a reciclagem deixou de ser uma tendência ambiental para se tornar uma estratégia estrutural de competitividade, investimento e desenvolvimento econômico[reference:50].
A nova Lei Geral de Economia Circular foi destacada como o marco regulatório que impulsiona essa transformação, alinhando indústria, academia, governo e sociedade em um ecossistema integrado[reference:51]. Da ECOCE, Montserrat Ramírez destacou a evolução do sistema: de promover a reciclagem em um mercado incipiente para construir um ecossistema articulado de gestão e educação ambiental, enfatizando que a nova legislação abre uma etapa de coordenação mais ampla onde a corresponsabilidade cidadã será fundamental[reference:52].
O modelo "garrafa a garrafa" da PETSTAR foi reconhecido como um dos mais avançados do mundo. Carlos Mendieta explicou que o sistema exigiu investimentos superiores a 280 milhões de dólares, uma rede nacional de recuperação de embalagens, a inclusão social de catadores e suas famílias, e um sistema de rastreabilidade que certifica a resina reciclada globalmente[reference:53]. Essa abordagem combina sustentabilidade ambiental com direitos humanos, garantindo condições dignas para aqueles que participam da cadeia de reciclagem[reference:54].
David Moreno, gerente de sustentabilidade corporativa da Arca Continental, afirmou que a circularidade está integrada ao modelo de negócios, especialmente no design de embalagens. Em 2025, a empresa atingiu uma média de 36% de resina reciclada em suas embalagens, demonstrando que a economia circular é um habilitador de valor e não uma restrição[reference:55].
O Instituto Tecnológico de Monterrey destacou o papel da pesquisa na transição para a circularidade. Jorge Membrillo explicou que o México passou de mitigar resíduos para um modelo regulado com responsabilidade estendida para produtores. O Instituto desenvolve sandboxes para testar tecnologias, políticas públicas e estratégias com inteligência artificial, incluindo bioplásticos e reciclagem química[reference:56].
O fórum identificou desafios-chave para consolidar o modelo: separação na fonte, fortalecendo a corresponsabilidade cidadã; consciência social, integrando catadores ao sistema formal; inovação tecnológica em bioplásticos e reciclagem química; e educação ambiental para fomentar hábitos de consumo responsáveis[reference:57].
A reciclagem inclusiva foi destacada como um eixo central. Não se trata apenas de recuperar materiais, mas de reconhecer quem participa do processo e garantir que obtenham benefícios sociais e econômicos, transformando a reciclagem em uma ferramenta de desenvolvimento humano além de ambiental[reference:58]. O Fórum concluiu que o México avança em direção a um ecossistema sólido de economia circular baseado em investimento, inovação, inclusão social e regulação progressiva, consolidando-se como líder regional em reciclagem de PET e modelos de circularidade industrial[reference:59].