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Um clima em mudança obriga a América Latina a redesenhar a governança do risco

Uma análise publicada por la diaria sustenta que médias históricas já não bastam para projetar cidades, infraestrutura e sistemas produtivos expostos a extremos em mudança. A resposta não é abandonar a previsão, mas combinar cenários probabilísticos, adaptação, ecossistemas restaurados e redução de emissões.

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Durante décadas, o planejamento público moderno se apoiou na ideia de que séries históricas de chuva, vazão e temperatura ofereciam uma base razoável para o futuro. Uma análise do especialista em gestão ambiental José Luis Sampietro, publicada por la diaria, sustenta que essa premissa perde confiabilidade quando o aquecimento altera as condições do sistema climático. A tese é política: infraestrutura e orçamentos devem se preparar para faixas que já não cabem nas médias anteriores.

Isso não significa que a meteorologia deixou de servir nem que todo evento seja imprevisível. Um clima não estacionário muda frequência, intensidade e combinação dos perigos, exigindo que a incerteza apareça nas decisões. Previsões, modelos e observações continuam essenciais, mas precisam de cenários probabilísticos, atualização contínua e margens de segurança quando a realidade supera o projeto histórico.

Sampietro usa as enchentes de Bahía Blanca em março de 2025 e de Valência em 2024 para mostrar a distância entre risco emergente e infraestrutura herdada. Na cidade argentina, cita quase 300 milímetros de chuva em seis horas e perdas humanas e econômicas severas. Os exemplos não provam sozinhos uma tendência global, mas mostram como um extremo pode superar drenagem, mapas de risco, alertas e capacidade de resposta ao mesmo tempo.

O artigo também recupera o alerta da Organização Meteorológica Mundial sobre temperaturas próximas ou superiores aos recordes recentes nos próximos anos. A questão ultrapassa os desastres e afeta segurança alimentar, água, energia, seguros, finanças públicas e investimento. Governar um clima em mudança exige tratar a incerteza como custo do desenvolvimento, não apenas como externalidade ambiental.

A América Latina combina grande dependência de recursos naturais com lacunas de adaptação. A análise observa que perto de metade da geração elétrica depende da água, enquanto milhões vivem da agricultura e extensa infraestrutura atravessa montanhas, costas e bacias expostas. A vulnerabilidade não vem apenas do perigo físico, mas também de moradia, ordenamento, manutenção, informação pública e capacidade fiscal.

O autor contrapõe respostas internacionais: abrir espaço aos rios nos Países Baixos, incorporar resiliência à infraestrutura pública japonesa e combinar sensores, inteligência artificial e soluções baseadas na natureza em Singapura. Nenhum modelo pode ser copiado sem adaptação local. A lição comum é manter funções essenciais durante falhas, em vez de prometer proteção absoluta contra todos os extremos.

Para a região, a mudança supõe redes elétricas redundantes, agricultura guiada por cenários, drenagens e obras dimensionadas para condições variáveis, alertas acessíveis e ecossistemas restaurados que amortecem enchentes e secas. Adaptação não substitui mitigação: se as emissões elevarem o aquecimento, as faixas de projeto continuarão mudando. O desafio é reduzir causas e exposição simultaneamente, com decisões revisáveis conforme a evidência.

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