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A COP16 da desertificação confirmou que a degradação das terras já é um desafio central do desenvolvimento

"Le champ de diversité" at El Gueza, IFAD funded program to determine new varieties of millet and groundnut best suited to the short rainy season of southern Niger. Niger,17/07/06 ©David Rose/Panos Pictures +44 20 7253 2752

A cúpula de Riad da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação colocou restauração de terras, resiliência à seca e financiamento no centro da agenda. Houve compromissos superiores a US$ 12 bilhões, mas ficou pendente um acordo global vinculante sobre seca, que seguirá em discussão rumo à COP17.

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A COP16 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, realizada em Riad, na Arábia Saudita, colocou a degradação das terras no centro da agenda ambiental e de desenvolvimento. Sob o lema "Nossa terra. Nosso futuro", a cúpula reuniu governos, cientistas, comunidades, organizações e setor privado para discutir como restaurar solos, enfrentar secas e financiar ações em regiões vulneráveis.

O debate chegou em um momento crítico. A degradação das terras afeta segurança alimentar, disponibilidade de água, biodiversidade, saúde pública, economias rurais e estabilidade social. Também intensifica migrações, conflitos por recursos e vulnerabilidade climática. Por isso, a desertificação deixou de ser um problema periférico de zonas áridas para se tornar uma questão estratégica de desenvolvimento humano sustentável.

Um dos resultados mais visíveis foi o anúncio de compromissos financeiros superiores a US$ 12 bilhões para restauração de terras e resiliência frente às secas, com atenção especial a países vulneráveis. A cúpula também impulsionou maior participação de povos indígenas e comunidades locais, manteve a interface ciência-política da Convenção e reforçou o papel das soluções baseadas na natureza.

No entanto, a COP16 também mostrou os limites da governança internacional. Os países não conseguiram fechar um acordo global vinculante sobre seca, uma das demandas centrais das regiões mais expostas. A discussão continuará rumo à COP17, prevista para a Mongólia em 2026, onde voltará ao debate se o mundo precisa de um marco voluntário ou de um protocolo jurídico mais forte para antecipar e responder às secas.

A restauração de terras não pode ser reduzida ao plantio de árvores. Exige manejo de bacias, recuperação de solos, agrofloresta, proteção de pastagens, controle de erosão, ordenamento territorial, monitoramento de umidade, gestão da água e participação de produtores e comunidades. Quando essas ações se integram, podem melhorar produtividade, biodiversidade e resiliência climática ao mesmo tempo.

Para a América Latina, a agenda é direta. A região combina florestas tropicais, pastagens, zonas úmidas, áreas áridas, sistemas agrícolas intensivos e comunidades rurais que dependem da saúde do solo. Na Argentina, a degradação de terras atravessa debates sobre florestas nativas, bacias, pecuária, agricultura, incêndios, secas, infraestrutura hídrica e enraizamento territorial.

O aprendizado central de Riad é que a política ambiental deve operar com dados, financiamento e continuidade. Não bastam compromissos gerais: são necessários inventários de degradação, sistemas de alerta precoce, instrumentos econômicos, assistência técnica, restauração mensurável e capacidade estatal para acompanhar quem produz e vive nos territórios afetados.

Na perspectiva da Fundación Argentina ASE, a COP16 confirma que solo, água, biodiversidade e produção formam uma mesma agenda. Proteger a terra é proteger comunidades, alimentos, emprego e ecossistemas. A restauração deve ser tratada como infraestrutura pública de desenvolvimento humano sustentável, com ciência aplicada, cooperação internacional e presença territorial permanente.