O projeto florestal do condado de Hood River, no Oregon, emitiu seus primeiros créditos de carbono, com unidades aprovadas para o selo dos Core Carbon Principles do Conselho de Integridade do Mercado Voluntário de Carbono. É um teste para o manejo florestal melhorado: não se plantam árvores novas, mas se altera o calendário de corte para reter mais carbono em uma floresta produtiva.
A The Climate Trust desenvolveu a iniciativa com o departamento florestal do condado. Ela está registrada na versão 2.1 da metodologia ACR de manejo florestal melhorado em terras norte-americanas não federais e cobre mais de 32 mil acres — cerca de 13 mil hectares — de abetos-de-douglas, pinheiros-ponderosa e outras florestas do Noroeste do Pacífico, em grande parte com mais de 65 anos.
A mudança central é a idade de corte. Em uma região de mercado madeireiro forte, proprietários costumam colher talhões com mais de 45 anos; o condado se compromete a elevar a rotação média para até 90 anos. A diferença entre o manejo esperado sem projeto e o carbono retido ao adiar o corte serve de base para calcular os créditos.
O projeto usará uma linha de base dinâmica, recalculada a cada poucos anos. A revisão evita que uma comparação fixada no início continue gerando créditos depois de mudanças no preço da madeira, nas práticas regionais ou no comportamento provável do proprietário. O anúncio não informou a quantidade de unidades emitidas nem seu preço.
A receita oferece ao condado alternativa a aumentar o corte para financiar serviços públicos. A administração pretende apoiar manejo de uso múltiplo, combinando madeira, recreação e habitat, além de comprar novas terras florestais para o projeto. O incentivo funciona quando manter as árvores por mais tempo consegue competir economicamente com antecipar a colheita.
O selo CCP indica que o programa e a categoria metodológica atenderam a critérios de governança, rastreamento, adicionalidade, quantificação, permanência e salvaguardas; não elimina riscos do projeto. Incêndios, pragas, deslocamento do corte e premissas favoráveis demais sobre o cenário sem projeto podem reduzir o benefício climático real.
A qualidade dependerá de dados posteriores à primeira emissão: inventários, novas linhas de base, perdas registradas, reservas contra reversões e destino rastreável da receita. Se o monitoramento provar armazenamento adicional sem transferir pressão a outras florestas, Hood River poderá orientar outros condados; caso contrário, o selo não substituirá o desempenho.