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Chile acelera dessalinização para mineração com regras ambientais incompletas

A água do mar deve responder por 67,6% do consumo hídrico do cobre em 2034. A nova lei cria concessões e planejamento, mas ainda não fixa limites específicos para salmoura, captação de organismos, impactos cumulativos ou energia.

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O Chile acelera o uso de água do mar para sustentar a mineração de cobre em regiões áridas. A Comissão Chilena do Cobre projeta que a demanda do setor passará de 18,5 metros cúbicos por segundo em 2024 a 20,6 em 2034. A participação marinha subiria de 40,7% a 67,6%, aliviando fontes continentais e transferindo pressões ao litoral.

A Lei 21.813, promulgada em maio após sete anos de debate, criou concessões específicas, novas atribuições para a Direção-Geral de Águas e uma estratégia nacional. Plantas industriais e captações intensivas entrarão na avaliação ambiental. Porém, regulamentos e vigência plena podem levar 18 meses, deixando parte importante da execução em aberto.

A indústria já tem escala. A ACADES informou 24 plantas com produção superior a 11 mil litros por segundo e projetos capazes de ampliar esse valor em cerca de 30% em 2026. De janeiro a junho, o serviço ambiental aprovou 23 projetos minerários por US$ 3,275 bilhões e recebeu 34 iniciativas que declararam mais de US$ 18 bilhões.

A lei organiza procedimentos, mas não resolve riscos marinhos importantes. Não fixa limite específico de salinidade para salmoura nem obriga uma norma de emissão. Protocolos de monitoramento, definições de planta industrial e captação intensiva e regras para anti-incrustantes e outros químicos da osmose reversa seguem pendentes.

O impacto pode começar antes do descarte. Entradas podem aspirar fitoplâncton, zooplâncton, ovos e larvas. Estudos perto de emissários em Caldera observaram queda de organismos presos ao fundo, deslocamento de espécies móveis e aumento das tolerantes. Volume, difusores, ondas, correntes e o tipo de baía determinam a intensidade.

A concentração de projetos adiciona dificuldade. Portos, pesca, aquicultura, esgoto e indústria compartilham baías, e avaliações isoladas podem ocultar interações. O SEA aplica critério cumulativo desde 2025 e seu guia de 2026 considera captações e descargas próximas, mas cientistas pedem linhas de base e capacidade de suporte da baía inteira.

Água e energia também precisam ser integradas. Cochilco estima 5,4 terawatts-hora para água marinha na mineração em 2034, equivalentes a cerca de dois milhões de lares; quase 80% moveriam água para minas distantes e elevadas. Dessalinizar pode reforçar a segurança hídrica se regras, localização, monitoramento, eficiência e limites evitarem nova pressão oceânica.