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Brasil apoia meta climática nas florestas, enquanto energia e agro freiam a redução

Belém, May 23, 2025 — A street opening the rainforest of Utinga State Park, part of an ongoing urban infrastructure project aimed at easing traffic congestion in Belém.

O Plano Clima 2024–2035 pretende cortar de 59% a 67% das emissões líquidas ante 2005, demarcar 4,5 milhões de hectares indígenas e ampliar a conservação. As projeções de energia e agro mostram, porém, que grande parte do esforço seguirá concentrada no controle do desmatamento.

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O Brasil colocou em vigor o Plano Clima 2024–2035 como instrumento central para cumprir a Contribuição Nacionalmente Determinada apresentada no Acordo de Paris. A meta é reduzir as emissões líquidas entre 59% e 67% ante 2005 até 2035 — levando-as a uma faixa de 850 milhões a 1,05 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente — e encaminhar o país à neutralidade climática em 2050.

A Casa Civil e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima coordenaram a estratégia com mais de 25 ministérios e consultas públicas. Ela se organiza em mitigação, adaptação e políticas transversais de financiamento, governança, monitoramento e transição justa, para traduzir a meta nacional em planos de uso da terra, energia, indústria, transporte, agricultura e cidades.

As florestas voltam a ocupar o centro do esforço. O plano prevê eliminar até 2030 as emissões do desmatamento em florestas públicas, demarcar 4,5 milhões de hectares de territórios indígenas e criar mais de 4 milhões de hectares de novas unidades de conservação até 2027. Proteger essas terras evita emissões e preserva estoques de carbono, água e biodiversidade.

Essa ambição convive com trajetórias setoriais bem menos exigentes. Para agricultura e pecuária, o cenário projeta emissões 1% maiores em 2030 que em 2022 e, para 2035, uma faixa entre queda de 7% e alta de 2%. A amplitude mostra quanto o resultado dependerá de produtividade, recuperação de pastagens, controle da expansão e adoção efetiva de tecnologias de baixas emissões.

A contradição mais clara aparece na energia. As projeções admitem aumento de 33% nas emissões até 2030 e de até 44% em 2035 ante 2022, associado à expansão de combustíveis fósseis e biocombustíveis, embora a matriz elétrica permaneça cerca de 86% renovável. Eletricidade majoritariamente limpa não compensa sozinha o crescimento de petróleo, gás e combustíveis fora do sistema elétrico.

Organizações ambientalistas valorizam a integração entre mitigação e adaptação, mas criticam a ausência de roteiro concreto para reduzir produção e consumo de fósseis. O governo anunciou um plano específico de transição energética enquanto mantém a exploração de novas reservas; essa tensão definirá se o esforço será distribuído ou se as florestas carregarão a maior parte da responsabilidade.

Implementação e verificação agora são decisivas: orçamentos, metas setoriais intermediárias, demarcações concluídas, novas áreas protegidas e monitoramento público. Se energia e agro crescerem nas faixas previstas, o Brasil precisará de resultados extraordinários e duradouros contra o desmatamento; se esses setores também reduzirem, a meta de 2035 ficará menos vulnerável a incêndios e retrocessos políticos.